O Centro Acadêmico de Agronomia (CAAGRO) da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Campus “Jane Vanini”, em Cáceres, anunciou no dia 6 de novembro o início do Estado de Greve dos estudantes do curso de Agronomia, após uma série de denúncias de ameaças, perseguições e violência psicológica dentro da universidade.
A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária, motivada por episódios de hostilidade e intimidação relatados por alunas, professoras e servidoras. O autor das agressões é um estudante que já responde a processo disciplinar na instituição e que, mesmo após ser afastado por 15 dias a partir de 22 de outubro, continuou frequentando o campus, causando insegurança e apreensão entre a comunidade acadêmica.
De acordo com o ofício de representação, o estudante chegou a ameaçar de morte uma colega por mensagens eletrônicas, além de ter proferido insultos, ameaças e praticado perseguição e violência psicológica contra outras estudantes e docentes. O documento também destaca que o aluno possui antecedentes de boletins de ocorrência por ameaça e ordem de restrição, configurando reincidência e comportamento incompatível com o ambiente universitário.
Diante da falta de medidas efetivas, o CAAGRO alertou que o afastamento cautelar não foi suficiente para garantir a segurança das vítimas e cobrou celeridade no processo disciplinar, com o desligamento definitivo do agressor, conforme prevê a Resolução nº 037/2024 – CONEPE, que trata das sanções aplicáveis em casos de conduta antiética e incompatível com a convivência acadêmica. Segundo informações de alunos, o suspeito alega possuir problemas psicológicos, diz ter laudo, e aparenta estar em surto devido a falta de medicamentos situação essa que deixa não só os alunos preocupados mas como os professores também.
Cumprido o prazo de 72 horas em Estado de Greve, os estudantes deflagraram greve estudantil por tempo indeterminado na terça-feira, 11 de novembro. Após o início da paralisação, a Direção do Campus e a Assessoria Jurídica da UNEMAT apresentaram aos representantes estudantis os trâmites administrativos e jurídicos em andamento para penalização do aluno agressor, bem como as medidas de segurança adotadas para impedir seu acesso às dependências da universidade.
Apesar disso, os estudantes mantêm as reivindicações por melhores condições de segurança na instituição. Segundo o CAAGRO, o baixo número de vigilantes e o baixo número de câmeras de monitoramento deixam vulneráveis os frequentadores do campus, especialmente considerando a dimensão da Cidade Universitária de Cáceres.
Os alunos destacam que, diferente de outras universidades, como a USP – Universidade de São Paulo, a UNEMAT não possui guarda universitária — equipe de segurança própria, treinada e equipada para prevenir e conter situações de risco. Atualmente, o serviço é prestado por vigilantes patrimoniais terceirizados, cuja função se limita à proteção do patrimônio físico, sem estrutura adequada para garantir a segurança das pessoas. Esses profissionais, segundo os estudantes, não dispõem de rádios de comunicação nem de veículos para rondas internas e externas, o que compromete a eficácia do trabalho preventivo.
O CAAGRO também lembra que outras instituições públicas do estado, como Hospitais Regionais e unidades do programa Ganha Tempo, contam com vigilância armada, voltada à proteção dos cidadãos nos espaços de atendimento.
Nesse cenário de hostilidade e insegurança, os estudantes de Agronomia defendem a reavaliação urgente do modelo de segurança adotado pela universidade, argumentando que o tema vai além do caso específico e atinge toda a comunidade acadêmica.
Os alunos ainda destacam que as unidades da UNEMAT na Cavalhada e na Cidade Universitária acumulam históricos de furtos de veículos, bens pessoais e experimentos acadêmicos, o que reforça a necessidade de políticas permanentes de segurança que garantam um ambiente universitário seguro e saudável.