Uma sequência de documentos oficiais expõe um movimento que chama atenção na gestão da saúde pública em Mato Grosso: o então diretor do Hospital Regional de Cáceres participa de todo o processo e, no mesmo dia em que é exonerado, assume cargo na própria OSS AGIR — entidade responsável por um contrato de R$ 669 milhões.
Os dados, disponíveis em fontes públicas do Governo do Estado e da própria organização, mostram uma linha contínua de acontecimentos que conecta diretamente a atuação no setor público à execução do contrato pela iniciativa privada.
CRONOLOGIA DOS FATOS: a sequência que conecta decisões públicas à execução privada
16/12/2024 – Instituição das comissões previstas no Decreto nº 764/2024, responsáveis por estruturar o estudo da contratação da OSS, com participação de Wellyngton Alessandro Dolce, funcionário em exercício pela SES/MT. 10/01/2025 – Ele assume como diretor do Hospital Regional de Cáceres (Diário Oficial nº 28.906), passando a comandar a unidade. 14/05/2025 – Publicação do edital que inicia o processo de contratação. 28/05/2025 – Participa de visita técnica com a AGIR dentro do hospital e assina documento posteriormente anexado pela entidade. 08/09/2025 – Abertura das propostas com apenas a AGIR como interessada. 13/10/2025 – A organização declara não possuir funcionários em exercício de função pública. 24/11/2025 – Integra a comissão de transição da gestão para a AGIR (Diário Oficial nº 29.121). 12/02/2026 – Publicação da exoneração (Diário Oficial nº 29.172). 12/02/2026 – No mesmo dia, sem intervalo, assume cargo de diretor administrativo e financeiro na própria AGIR, conforme divulgado no site da OSS.
A sequência mostra que o mesmo agente esteve presente do início ao fim do processo e, imediatamente após deixar o cargo público, passa a integrar a entidade que assume o hospital.
Esse encadeamento evidencia uma continuidade direta entre a atuação pública e a função privada em um contrato de R$ 669 milhões, cenário que exige análise à luz da Lei Federal nº 12.813/2013 sobre conflito de interesses, ao mesmo tempo em que se torna ainda mais sensível diante do fato de que a OSS AGIR é alvo de investigação da Polícia Federal no estado de Goiás, em apurações sobre suspeitas de superfaturamento e possíveis irregularidades em contratos de saúde, o que eleva o nível de alerta institucional, amplia a gravidade do caso e reforça a urgência de uma apuração rigorosa sobre a condução desse processo.
Os documentos citados estão anexados junto à matéria.
PORTARIA N.º 0839/2024/GBSES INSTITUI AS COMISSÕES ESTABELECIDAS NAS ALÍNEAS A) E B) DO
INCISO I DO ART. 5º DO DECRETO N.º 764/2024.
NOTA INFORMATIVA EDITAL DE CHAMAMENTO