CÁCERES – Em uma ofensiva histórica contra o crime organizado, a Polícia Civil deflagrou na manhã desta segunda-feira (27 de abril) a Operação Codinomes. A ação visa desarticular uma hierarquia criminosa responsável por uma onda de tráfico de drogas e homicídios na região de Cáceres e outras cidades do estado.
Poder que emana das grades
As investigações, conduzidas pela Draco (Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado) e pela Delegacia de Fronteira, revelaram um cenário alarmante: as ordens para execuções e a logística do tráfico em Cáceres eram coordenadas diretamente do interior do sistema penitenciário.
Entre os líderes identificados está uma mulher conhecida pelo vulgo de “Princesa”. Já alvo de operações anteriores (Coroa Quebrada), ela exercia a função de gerente regional, ditando as regras da facção mesmo estando reclusa.
Monitoramento e "Vigilância Territorial"
A delegada Bruna Laet, à frente das investigações, destacou o rigor do grupo no controle de bairros. "O grupo mantinha um sistema rigoroso de vigilância territorial, onde membros enviavam vídeos e fotos dos bairros para monitorar a presença policial e de rivais", explicou a delegada.
O nome da operação, Codinomes, faz referência à estratégia dos criminosos de alterarem constantemente seus apelidos e nomes de guerra nos aplicativos de mensagens para tentar ludibriar a inteligência policial.
Ao todo, as forças de segurança mobilizaram equipes para cumprir 22 ordens judiciais, sendo:
05 Mandados de Prisão Preventiva
17 Mandados de Busca e Apreensão
Cidades-alvo: Cáceres, Mirassol D’Oeste, Várzea Grande e Primavera do Leste.
A investigação, que teve início em julho de 2025, identificou 35 pessoas ligadas à organização, que mantinha pelo menos 32 pontos de venda de drogas (bocas de fumo) apenas no município de Cáceres.
Um dos pontos altos da operação foi a integração entre diversas instituições. Além da Polícia Civil, participaram:
Polícia Militar: BOPE, ROTAM, Força Tática, Raio e 6º Batalhão.
Exército Brasileiro: Comando de Fronteira Jauru/66º BIMtz.
Apoio Especializado: GCCO, Gaeco e diversas delegacias regionais.
A desarticulação desta estrutura é vista como um passo fundamental para frear a escalada de violência e homicídios que vinha ocorrendo em Cáceres, muitos deles motivados pela guerra de facções rivais por território. Os materiais apreendidos durante as buscas devem alimentar novas fases da investigação.