CÁCERES-MT – Uma decisão judicial causou indignação nas forças de segurança e uma onda de revolta nas redes sociais nesta quinta-feira (14/05). Os sete suspeitos (quatro adultos e três menores) presos em flagrante pela execução de José Josiney da Silva, ocorrida na última terça-feira, foram colocados em liberdade em menos de 24 horas após o crime.
Em entrevista, o delegado responsável pelo caso explicou que o flagrante foi relaxado pelo Judiciário sob a alegação de "falta de documentos ou perícias" no processo enviado dentro do prazo de 24 horas. O delegado lamentou a decisão, pontuando que qualquer lacuna documental poderia ser suprida posteriormente, sem a necessidade de soltar indivíduos de alta periculosidade.
"O que nos deixa tristes é que, por mais que falte algum documento, isso pode ser suprido. O flagrante foi totalmente relaxado, mesmo com os suspeitos tendo sido presos no momento da execução, com roupas manchadas de sangue", desabafou a autoridade policial.
A Polícia Militar havia realizado o cerco no momento exato em que os gritos da vítima eram ouvidos. No local, além do corpo de José Josiney — que estava amarrado e foi morto com golpes de foice e facão — a perícia apreendeu as vestimentas dos suspeitos, que apresentavam manchas de sangue, para servir como prova técnica inquestionável.
Para o delegado, o Judiciário poderia ter relaxado o flagrante por questões burocráticas, mas deveria ter decretado a prisão preventiva dos envolvidos. "Quantos mais vão precisar morrer até que a gente prenda esses indivíduos novamente? São sete homicidas nas ruas que podem matar hoje ou amanhã", questionou.
Nas redes sociais, o clima é de absoluta indignação. Internautas e moradores de Cáceres criticam duramente a decisão, utilizando termos como "enxugar gelo" para descrever o trabalho da polícia. Muitos questionam os critérios da Justiça e demonstram medo, já que o grupo — que inclui uma adolescente de 13 anos reincidente — já está de volta às ruas.
José Josiney foi vítima de um "tribunal do crime" na tarde de terça-feira, atrás do antigo frigorífico no bairro Jardim Paraíso. Ele foi torturado, amarrado e morto com requintes de crueldade (golpes de foice na cabeça). A intervenção da PM foi imediata, mas a vítima já foi encontrada sem vida.