
O advogado A. L. P. J., 49 anos, foi preso em flagrante, na noite dessa segunda-feira (16.02), em Várzea Grande, acusado de lesão corporal, violência psicológica e ameaça contra sua noiva, C. O. T. A, 22 anos, detenção ocorreu após uma unidade de saúde acionar a Polícia Militar ao identificar sinais de violência doméstica na paciente. O casal, que convive há dois anos e não possui filhos, estava de passagem pela cidade para visitar a família do suspeito e hospedado no Hotel Amazon.
Em depoimento à autoridade policial, a vítima apresentou um relato marcado por contradições e nítido abalo psicológico. Embora tenha afirmado inicialmente que o noivo não a agrediu naquela data — atribuindo suas lesões a quedas contra a "quina de uma mesa" após o consumo de uísque —, C. O. T. revelou um histórico de violência severa. Ela declarou já ter sido submetida a um golpe de "mata-leão" e violentada sexualmente pelo suspeito, além de sofrer constantes ameaças de morte.
Apesar de demonstrar sonolência e afirmar dependência financeira do conduzido, a vítima demonstrou temor extremo ao pedir para "apagar tudo o que falou", alegando que "eles vão me matar", em referência ao noivo e aos familiares dele.
Diante do quadro de vulnerabilidade e dos indícios colhidos, o delegado Jose Carlos dos Santos Damian manteve a prisão em flagrante com base na Lei Maria da Penha e no Código Penal (lesão corporal qualificada, violência psicológica e ameaça).
O despacho ressalta que, conforme a Lei 11.994/2024, crimes de ameaça em contexto de violência doméstica são de ação pública incondicionada, o que permite ao Estado prosseguir com a punição mesmo contra a vontade posterior da vítima ou sua recusa às Medidas Protetivas. Após o interrogatório e a expedição da Nota de Culpa, o caso foi comunicado ao Ministério Público e à Defensoria Pública, seguindo agora para a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM/VG).

