
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que pretende reduzir a jornada semanal para 40 horas e extinguir a escala 6x1 está provocando forte reação do setor produtivo brasileiro. Em uma mobilização nacional, entidades como a CNA, CNI, CNC, CNT e Fiesp alertam que a medida pode colocar empregos em risco e gerar impactos negativos para a economia.
Segundo as entidades, embora a proposta seja apresentada como um avanço para os trabalhadores, seus efeitos podem ser justamente os opostos. O aumento dos custos trabalhistas, afirmam os representantes do setor empresarial, poderá reduzir investimentos, dificultar novas contratações e pressionar empresas que já enfrentam desafios para manter suas operações.
"Menos horas de trabalho não significam automaticamente mais empregos ou mais qualidade de vida", defendem as entidades, que apontam preocupação especialmente com micro e pequenas empresas, responsáveis por grande parte das vagas formais no país.
O setor produtivo também sustenta que uma mudança constitucional ampla ignora as diferenças entre os diversos segmentos da economia. Para as entidades, o caminho mais adequado seria fortalecer a negociação coletiva, permitindo que empregadores e trabalhadores construam soluções adaptadas à realidade de cada atividade econômica.
Outro ponto levantado é o risco de perda de competitividade do Brasil frente a outros mercados. Na avaliação dos empresários, o aumento dos custos pode estimular a informalidade, encarecer produtos e serviços e reduzir a capacidade de crescimento das empresas.
Enquanto sindicatos e defensores da proposta argumentam que a extinção da escala 6x1 representa mais dignidade e qualidade de vida para os trabalhadores, o empresariado alerta para um possível efeito colateral: menos oportunidades de emprego, menor capacidade de investimento e desaceleração econômica.
Com o texto agora em análise no Senado Federal, a disputa promete se intensificar. De um lado, a defesa de jornadas menores; de outro, o alerta das entidades empresariais de que a medida pode custar caro ao mercado de trabalho brasileiro.
"Extinguir a escala 6x1 pode significar menos empregos e mais custos para o Brasil", afirmam entidades empresariais.

