
BRASÍLIA – Em um movimento estratégico para endurecer o combate ao crime organizado no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta terça-feira (24/03/2026), o Projeto de Lei Antifacção 5582/2025. A nova legislação foca não apenas no aumento de penas, mas no sufocamento financeiro das organizações criminosas e na restrição severa de benefícios penais para lideranças.
A sanção ocorreu em evento reservado com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ministros de estado.
A lei traz uma definição clara para o enquadramento jurídico: considera-se facção criminosa qualquer grupo de três ou mais pessoas que utilize violência, grave ameaça ou coação para:
Controlar territórios;
Intimidar populações ou autoridades;
Atacar serviços e infraestruturas essenciais (como redes de energia ou comunicações).
Um dos pilares da norma é o isolamento das lideranças. Quem for identificado como chefe de facção ou milícia passa a enfrentar um regime carcerário muito mais severo:
Sem benefícios: Proibição de anistia, indulto, fiança ou liberdade condicional.
Progressão de pena: Em casos específicos, o condenado deverá cumprir até 85% da pena em regime fechado antes de qualquer progressão.
Segurança Máxima: O cumprimento de pena ou prisão preventiva ocorrerá obrigatoriamente em presídios de segurança máxima.
Suspensão do Voto: Detentos comprovadamente associados a facções perdem o direito de voto, mesmo antes da condenação definitiva.
Durante o ato, o presidente Lula destacou que a inteligência da Polícia Federal deve mirar o topo da pirâmide criminosa. "A gente tem a chance não de matar os bagrinhos da periferia, mas de pegar os responsáveis que moram em apartamentos de luxo (...) os magnatas do crime", afirmou o presidente.
Lula revelou ainda ter compartilhado informações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre investigados brasileiros que mantêm ativos no exterior, citando o caso de um grande sonegador de impostos que reside em Miami.
Uma medida que promete gerar debate, mas que foi defendida pelo governo como "desestimuladora", é o corte do auxílio-reclusão. Dependentes de presos que integrem organizações criminosas, milícias ou grupos paramilitares não terão direito ao benefício, independentemente de terem contribuído para o INSS.
"O cidadão que quiser cometer seus crimes saiba que seus filhos e sua esposa irão pagar pela irresponsabilidade dele", pontuou Lula.
| Medida | Como funciona na Nova Lei |
| Progressão de Pena | Até 85% da pena em regime fechado para lideranças. |
| Presídio | Obrigatoriedade de Presídios de Segurança Máxima. |
| Benefícios | Vedação total a indulto, anistia e liberdade condicional. |
| Auxílio-Reclusão | Suspenso para dependentes de membros de facção/milícia. |
| Direito de Voto | Retirado de presos associados ao crime organizado. |

