
Até 2023, o Hospital Regional de Cáceres, junto com o Anexo I (Hospital São Luiz), operava sob gestão direta do Estado com um custo médio de aproximadamente R$ 12 milhões por mês. Com o contrato assinado em 2025 com a OSS AGIR, esse valor saltou para cerca de R$ 19 milhões mensais, evidenciando um aumento expressivo no volume de recursos públicos destinados à unidade.
Dados da Controladoria Geral do Estado (CGE), referentes ao exercício de 2023 e anexados em 2024, apontam que o gasto anual foi de cerca de R$ 146 milhões. Após o novo modelo de gestão, o valor passou a prever aproximadamente R$ 223 milhões por ano, totalizando cerca de R$ 670 milhões em 3 anos. Na prática, o Estado passou a gastar cerca de R$ 77 milhões a mais por ano, um aumento de aproximadamente 53% em relação ao modelo anterior.
O ponto mais crítico está na ponta do sistema: mesmo com mais dinheiro sendo destinado ao hospital, há relatos de redução nos salários de funcionários e médicos, além de pressão sobre equipes e questionamentos sobre a qualidade dos serviços prestados.
O contraste chama atenção: o gasto público aumenta de forma significativa, mas os profissionais relatam perda de renda e a população não percebe melhora proporcional no atendimento. O contrato firmado em 2025 com a OSS AGIR elevou de forma contundente o nível de gasto do Estado na saúde pública em Cáceres, sem que haja, até o momento, transparência proporcional sobre como esses recursos estão sendo aplicados na prática. Em uma cidade onde o setor público tem forte impacto econômico, a redução salarial de profissionais da saúde atinge diretamente o comércio, o consumo e a circulação de dinheiro local.
O cenário expõe um desequilíbrio evidente: mais recursos públicos, menor valorização dos profissionais e dúvidas crescentes sobre a eficiência da gestão. Diante de um contrato de aproximadamente R$ 670 milhões, aumenta a pressão por transparência, fiscalização rigorosa e prestação de contas à população. Porque quando o gasto cresce nesse nível, mas os resultados não acompanham, o problema deixa de ser apenas financeiro — e passa a ser um sinal de alerta sobre toda a gestão da saúde pública.
Segue em aberto espaço para empresa AGIR se pronunciar.
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